Resumos

IMPLEMENTAÇÃO DO QUADRO DE QUALIFICAÇÕES EUROPEU NA FORMAÇÃO E NO ENSINO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E JORNALISMO: ESTUDO DAS ESTRATÉGIAS DE APLICAÇÃO EM PORTUGAL
Francisco Gilson Rebouças Pôrto Júnior
Universidade Federal do Tocantins / Universidade de Brasília

Com a implementação das políticas de formação preconizadas por Bolonha um Quadro Europeu de Qualificações para aprendizagem ao longo da vida (QEQ) foi incentivado. Este impactou no desenvolvimento e aperfeiçoamento dos chamados Quadros Nacionais de Qualificação (QNQs). O Quadro Europeu de Qualificações (QEQ) possui oito níveis de referência que englobam desde o ensino básico até o doutoramento. Para cada nível de aprendizagem são descritos os conhecimentos, aptidões e competências que se espera que o estudante tenha alcançado ao concluir cada etapa. Esses descritores englobam o conhecimento adquirido no ensino formal, não formal e informal. A comunicação apresenta um estudo sobre o Quadro Europeu de Qualificações, fruto da das pesquisas de pós-doutoramento sobre Bolonha em desenvolvimento junto a universidades portuguesas. Discute-se o contexto que deu origem ao quadro, o expõe como uma das ações para consolidação das práticas formativas com foco em Comunicação e Jornalismo e discorre sobre resultados e críticas advindas de sua implantação. Perpassa pela Declaração de Sorbonne (1988), pela Declaração de Bolonha (1999) e outras ações que se seguiram para promover a convergência dos sistemas de ensino europeu e favorecer a mobilidade de estudantes, de professores e trabalhadores nos países da União Europeia. Problematiza a implantação do quadro, e os acompanhamentos e estudos para identificar se esse metaquadro surtiu os efeitos desejados.
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PRÁTICAS LABORATORIAIS NO ENSINO DO JORNALISMO: O CASO DO URBI@ORBI E OS DESAFIOS DA CONVERGÊNCIA MEDIÁTICA
Anabela Gradim & Ricardo Morais
Universidade da Beira Interior / LABCOM.IFP

O jornalismo, que permaneceu conceptualmente estável por mais de um século (McQuail, 2009) foi uma das profissões mais afectadas pela revolução tecnológica das últimas duas décadas. Alterações económicas e políticas, alterações tecnológicas, de mercado, e das condições de produção determinaram novos e ainda incertos modelos de negócio, a reconfiguração das audiências, novas plataformas e linguagens, num ecossistema de perfil muito volátil e gerador de grande ansiedade em toda a cadeia de produção e distribuição. Na confluência destes fenómenos, de que é produto, mas também espelho e conceito, o jornalismo continua em busca de um lugar que abarque a diversidade destes desafios e pacifique as suas práticas.

Prever como será o futuro da profissão deixou de ser tarefa exequível no novo ecossistema mediático, mas cabe à Academia, se o jornalismo for tomado a sério (Zelizer, 2004), pensar estas mudanças e o impacto que deverão ter no currículo e ensino do jornalismo. Um tempo de desafios e de oportunidades para uma reflexão sobre os caminhos na formação de jornalistas, de que o primeiro será a afirmação epistemológica do campo (Bourdieu) e da profissionalização dos seus agentes (Schudson, Tuchman), demarcando as suas especificidades de “essential food supply of our democracy” (Jones, 2009); seguido do desafio de abraçar a convergência dos meios e a reconfiguração das redações na forma como o ensino do jornalismo será capaz de fazer com que os estudantes experimentem algumas destas mudanças em ambiente académico.

A UBI destaca-se neste contexto a partir do papel pioneiro do seu laboratório de inovação em jornalismo online, permitindo aos seus alunos não só uma simulação da realidade jornalística, mas igualmente a possibilidade de conhecer o terreno mutável onde decorre a sua prática, o currículo oculto (Santomé, 1993) que identificamos como uma vantagem competitiva na sua formação.

Este trabalho toma por objeto o Urbi@Orbi, projeto de ciberjornalismo académico com 16 anos, criado no âmbito do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade da Beira Interior. Consideramos como ponto de partida o processo de Bolonha e o ensino centrado no aluno, valorizando a associação entre teoria, prática, e o ensino das disciplinas laboratoriais (Dewey, Bourdieu). Analisa-se o trabalho realizado, realçando a importância de explicar as mudanças introduzidas pelas novas tecnologias na produção de noticias. Salientam-se as características particulares de cada narrativa e suporte utilizado, com destaque para o mobile, identificando hoje como a mais promissora oportunidade para pensar o ensino do jornalismo para os dispositivos móveis.
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EXPERIÊNCIAS CIBERJORNALÍSTICAS NAS UNIVERSIDADES PORTUGUESAS
Pedro Jerónimo
Instituto Superior Miguel Torga / CIC.Digital (Porto)

As primeiras notícias online começaram a ser publicados pelos media portugueses a partir de 26 de julho de 1995. Era o ponto de partida para as primeiras duas décadas de ciberjornalismo em Portugal. Porém, apesar desse percurso e período temporal, a realidade é que este é um campo ainda pouco estudado (Bastos, 2010, 2015). A produção científica é ainda mais escassa se nos situarmos em territórios mais pequenos, como o regional e local (Jerónimo, 2015). O mesmo poderemos dizer em relação ao hiperlocal, como é disso exemplo o caso do território académico ou universitário. A presente proposta vem ajudar a colmatar a ausência de estudos a esse nível, centrando-se em duas abordagens: a) identificar a origens do ciberjornalismo académico, a partir do aparecimento dos primeiros cibermeios e b) identificar e analisar dois dos casos de maior longevidade, que existam na atualidade. A partir daqui, será possível deixar algumas pistas iniciais sobre o percurso deste tipo de ciberjornalismo.
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EXPERIÊNCIAS LABORATORIAS – A PESQUISA-FORMAÇÃO NO PROCESSO DA IMPLANTAÇÃO DE UMA REDAÇÃO CONVERGENTE DE JORNALISMO
Suyanne Tolentino de Souza
Pontifícia Universidade Católica do Paraná

A presente pesquisa traz uma reflexão fundamentada inicialmente pela experiência do ensino de telejornalismo e suas contínuas e desafiantes adaptações em relação as práticas adotadas e modos de produzir o conteúdo audiovisual jornalístico em tempos de convergência midiática. Este artigo apresenta o resultado de uma investigação fundamentada no processo de ensino-aprendizagem envolvido na implantação de uma redação convergente de jornalismo. Trata-se de um ambiente de experimentação em que o aluno pode produzir conteúdo jornalístico para diferentes plataformas de mídia. A redação é um polo de desenvolvimento prático na criação, produção e execução de projetos que tem como foco a informação. As atividades desenvolvidas têm características interdisciplinares, o que possibilita a troca e a conexão de conteúdo entre as disciplinas. Além disso, a integração com o corpo docente mercado e comunidade vem propiciar aos alunos estarem mais próximos da realidade profissional. O objetivo da pesquisa identificar como os futuros jornalistas recebem e produzem novas linguagens e formatos jornalísticos para veiculação na web no processo de implantação de uma redação convergente. A investigação de caráter qualitativo foi desenvolvida pela metodologia da pesquisa-formação que se caracteriza pelo processo de ensinar e pesquisar a partir do compartilhamento de diferentes narrativas que incorporam aspectos comunicacionais e pedagógicos, que envolve um grupo de sujeitos que “aprende enquanto ensina e pesquisa e pesquisa e ensina enquanto aprende” (Santos 2015). No contexto de aprendizagem por meio da implantação de uma redação convergente foi possível utilizar diferentes dispositivos que se configuraram como espaços formativos de pesquisa e prática pedagógica para produção de dados com os praticantes culturais em suas práticas cotidianas. Foram eles: diário de bordo, memoriais de pesquisa e prática profissional e entrevistas abertas. A estudo não apenas contribui com a formação dos sujeitos envolvidos, mas, também com a produção científica referente as produções laboratoriais, fazendo interface entre as áreas da comunicação e da educação.
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A DIMENSÃO EMPREENDEDORA NA ESTRUTURA CURRICULAR DA FORMAÇÃO EM JORNALISMO NO BRASIL A PARTIR DAS NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES
Edgard Patrício
Universidade Federal do Ceará

A midiatização complexa da sociedade pressupõe que, para além dos profissionais de produção da mídia, nós mesmos, agora como usuários leitores e escritores de mídia, precisamos experimentar, frente às inovações tecnológicas midiáticas, cada vez mais ações ‘empreendedoras’, numa formação continuada (media literacy) a esse ambiente. São os tempos da mídia como autoprodução de conteúdos (Deuze, 2014). O acúmulo de funções, a fusão e até a supressão de algumas etapas no processo de produção do jornal, por constituírem ‘retrabalho’, ocorrem visando a uma maior produtividade, o que é coerente com a lógica capitalista de acumulação (Fonseca & Souza, 2006, p. 6). É possível identificar o crescimento do jornalismo como atividade econômica, por exemplo, na criação de assessorias de imprensa, que produzem de acordo com a demanda de clientes como organizações e figuras públicas (Gallas, 2014). No âmbito do jornalismo pós-fordista, tudo se passa como se as oportunidades de trabalho dependessem de estratégias individualizadas, mobilizadas por sujeitos dispostos a aproveitar ou não as ‘janelas de oportunidades’ e de desenhar o seu destino de maneira competitiva, criativa, inovadora e eficiente, orientados pela aquisição ininterrupta de conhecimentos e capacidades que possuem valor econômico (Roxo & Grohmann, 2014). No paradigma do jornalismo empreendedor, a relação com a tecnologia torna-se evidente. Com a simplicidade para criar um veículo online, a um custo quase zero, alguns jornalistas viram na web a oportunidade para testar novos caminhos em vez de tentar construir carreiras dentro das empresas jornalísticas tradicionais (Deak & Foletto, 2013). As transformações no Jornalismo estariam relacionadas a 1) mudanças estruturais na produção das notícias, 2) mudanças estruturais no perfil dos jornalistas, 3) às novas relações com os públicos (Pereira & Adghirni, 2011). Frente a essas transformações, se impõem outros desafios à formação do profissional jornalista. Nesse artigo, discutimos a inserção da dimensão empreendedora na formação do profissional jornalista no Brasil. Partimos de questões conceituais da dimensão empreendedora na atividade jornalística; identificamos essa dimensão nas novas diretrizes curriculares para os cursos de Jornalismo no Brasil, regulamentadas em 2013; e analisamos a aplicabilidade desses conceitos e orientações no processo de reforma curricular que acontece no Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (Brasil). Uma das questões que tentamos responder é em que medida a formação em empreendedorismo do jornalista consegue se incorporar a vertentes curriculares marcadas pela formação humanística e de pesquisa.
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JOURNALISM, TRANSMEDIA AND DESIGN THINKING
Ana Serrano Tellería
Universidad de Castilla La Mancha / Universidade da Beira Interior

Outstanding challenges in Journalism are centred on business models, changing audience’s practices, declining audiences, of print sales and the access to media by its homepage, mobile first acclaimed strategies, the ever-changing algorithm parameters of Social Media that directly affect the access and distribution of media content, the increase relevance of personalization in content and channel distribution (mobile applications, podcasts, messages, newsletters, etc.) (Doctor, 2016; Hazard Owen, 2016; Lichterman, 2016); the inherent and outstanding differences between broadcast, print, mobile, online and social media ecologies, ambient and technological environments (Wang, 2016); the urgent need to recover core values of journalism like ethics, quality, credibility and transparency, in relation also to start-ups, crowdsourcing and entrepreneurial successful initiatives; the notion of ‘news as a product’ (Bilton, 2016); and the balance between ad-blocking, native and sponsored advertising and content.

Thus, essential individual traits, skills and mind-set, the future of journalism is foreseen in the form of professionals who (alone or in collaboration) are able to monetise content in innovative ways, connect to its publics in interactive new formats, grasps opportunities and respond to (and shape), its environment (Briggs, 2012). Then, the abilities needed are: Produce on multiple platforms, understand the economics, build your brand, master match (filter, organize), clean and copy (curate), learn basic coding, know your audience and engage on social media (Albeanu, 2015; García, 2015b; Gourarie, 2015; Harding, 2015; Kramer, 2015; Klein, 2015; Levin, 2015; Parker, 2015; Peer, 2015; Powers, 2015; Rajan, 2015; Stern, 2015; Sterns, 2015).

As stated by prominent academic experts in the field (Maloney, 2011, 2014; Scolari, 2013, transmedia narratives for journalism is an emerging field work in progress with enormous potential ahead. A review of the state of the art requires, therefore, going back to its origins mainly focused on the world of fiction: the seven principles described by Jenkins (2009): Spreadability vs. drillability; continuity vs. multiplicity; immersion vs. extractability; worldbuilding; seriability; subjectivity and performance. The dichotomies reflect the different possible dimensions of the message through several available media. Thus, while the message is spread, a world is being created by means of inter-related subjectivities and performances.

In this sense, media is described as artefacts, activities and arrangements (Deuze, 2012) and the user behaviour between actions and affordances, animations and performances (Serrano Tellería, 2016). By adapting Design Thinking approach (Ignatius, 2015; Kolko, 2015) to the journalism field; this essay aims to introduce a new way of examining journalism that allow to capture the affective, paradoxical and spontaneous features of the emerging initiatives and the digital, mobile and online ecosystems as well as capturing the holistic experience of the user experience because it employs the principles of design both to the physical process as well as to the way of thinking to solve extraordinarily and persisting difficult challenges in a system of organizations.

In the Media Life (Deuze, 2012), Design Thinking would capture the specific aspects and features related to the interface design and the creation of content, genres, formats and models; the affective and rational considerations and descriptions of the media as artefacts, activities and arrangements as well as the user behaviour between actions and affordances, animations and performances.
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MUTAÇÃO DAS ROTINAS PRODUTIVAS E OS PROCESSOS DE DESPROFISSIONALIZAÇÃO E PROLETARIZAÇÃO DO JORNALISMO PORTUGUÊS
João Miranda
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra / CEIS20

O caminho inconstante e controverso da construção da identidade profissional dos jornalistas portugueses abriu espaço para a ingerência de uma série de processos de desregulação profissional.

A expansão da internet e o rápido progresso tecnológico no âmbito jornalístico veio evidenciar uma reformatação dos modelos de informação, pautada pela entrada de novos atores no campo da produção. O monopólio da atividade é ameaçado pela profusão de experiências de ‘jornalismo cidadão’, pela intervenção dos consumidores no processo de seleção e definição da informação, e por uma gradual adequação da autonomia profissional às lógicas económicas e lucrativas dos investidores. Este contexto, se é revelador de um novo arquétipo de organização e práticas, manifesta também marcadas tendências de desprofissionalização, caraterizadas pela perda do monopólio legal da atividade, deterioração dos preceitos de autonomia inerentes à profissão e o fim da crença pública nos traços do seu serviço e papel.

Paralelamente, a crescente mutação das rotinas produtivas no sentido da afirmação de um modelo ‘taylorista’ de trabalho, condicente com o propósito da produção massiva e instantânea; a afirmação de um ‘jornalismo sentado’, expresso numa maior dependência de fontes facilmente acessíveis e disponíveis; a convergência de plataformas mediáticas e tarefas num só jornalista; e os efeitos da aplicação do novo Estatuto do Jornalista sobre a autonomia e propriedade intelectual dos profissionais conduzem amplamente a processos de “proletarização” do labor, cujas consequências se manifestam numa alienação progressiva do trabalho e na desqualificação profissional.
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OS JORNALISTAS E OS CONSTRANGIMENTOS QUE ATORMENTAM A PROFISSÃO
Felisbela Lopes
Universidade do Minho

Os jornalistas vivem hoje sob permanente pressão. Pressão para ser rentável. Pressão para fazer a cobertura de determinado acontecimento. Pressão para ouvir este ou aquele interlocutor. Pressão para não afrontar os acionistas da sua empresa. Pressão para cumprir leis que não deixam margem para noticiar factos com relevância noticiosa. Pressão para trabalhar depressa. Pressão para ser o primeiro a anunciar a última coisa que acontece. Pressão para multiplicar conteúdos em diversas plataformas. Pressão para atender àquilo que os cidadãos dizem nas redes sociais. Pressão para desenvolver conteúdos de qualidade que suscitem o interesse do público. Pressão para não provocar reações dos reguladores dos media. Não é fácil trabalhar assim. Por isso, atualmente, ser jornalista é aceitar exercer uma profissão que está sob ameaças de vária ordem. E isso deveria suscitar uma reflexão profunda. Nesta comunicação apresentaremos os resultados de um inquérito feito a 100 jornalistas portugueses que incidiu sobre os constrangimentos que afetam hoje a profissão. Aquilo que hoje mais atormenta os jornalistas são os constrangimentos económicos. Estão aí as principais censuras, transpostas na diminuição de meios, na redução das equipas, na limitação dos trabalhos. Outro constrangimento apontado pelos jornalistas recai na pressão das fontes. O político que pressiona pessoalmente o jornalista pertence ao passado. Hoje os assessores e as agências de comunicação exercem essa influência no lugar dos vários poderes dominantes, desenvolvendo uma pressão de agendamento e de cobertura mediática com técnicas apuradíssimas, sendo, por vezes, muito difícil perceber onde se interrompe uma profícua mediação e começa uma intolerável manipulação. As tecnologias que hoje abrem novas possibilidades podem também constituir um obstáculo a um trabalho que se vê em permanente mudança e em escrutínio contínuo.
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ECONOMIAS DE ESCALA NO MERCADO MEDIÁTICO PORTUGUÊS: O CASO DOS PROFISSIONAIS MULTIPLATAFORMAS
David Rafael Vaz Fernandes
Universidade do Minho

Os processos de convergência na indústria mediática desenvolveram-se nas últimas décadas devido a um conjunto de factores. A evolução dos meios tecnológicos, a liberalização dos mercados e os efeitos da globalização criaram um conjunto de conglomerados mediáticos nas sociedades ocidentais.

A indústria mediática é caracterizada pelo elevado peso dos custos fixos produtivos. Para diminuir os seus efeitos, os grupos mediáticos apostam por estratégias em que se operam economias de escala e de gama. A crise económica e a consequente diminuição das receitas publicitárias reforçaram estes fenómenos.

A nossa proposta de comunicação foca-se nas economias de âmbito. Neste caso, os conteúdos especializados de uma publicação podem ser reutilizados através de outra plataforma. Este processo de reformulação é típico dos meios de comunicação que ‘reciclam’ os conteúdos dos media tradicionais nas suas plataformas digitais.

Outro modo de realizar economias de gama passa pela exploração dos activos de cada empresa mediática para a criação de conteúdos em diversas plataformas. As concentrações horizontais permitem, por exemplo, a repetição de determinados formatos em diferentes meios de comunicação.

O nosso estudo procura analisar a utilização de profissionais que, pela sua reputação, capacidade técnica ou especialização, têm acesso a diferentes plataformas dentro do mesmo conglomerado. Investigamos os casos existentes no panorama português através de quatro categorias profissionais: apresentadores de programas informativos, jornalistas, comentadores e editores.

Optamos por analisar os 10 maiores grupos de comunicação social em Portugal e verificar em quais deles existem profissionais que operam em diferentes plataformas mediáticas para cada uma das classes supramencionadas. Analisamos ainda quatro casos específicos destes modelos de convergência mediática:
– Pedro Ribeiro (apresentador – grupo Media Capital);
– as redacções integradas dos jornais Correio da Manhã e Record (grupo Cofina).
– Luis Freitas Lobo (comentador – grupo Controlinveste) e
– Ricardo Costa (editor – grupo Impresa).

Os casos de estudo identificados seguem dois critérios de análise. Em primeiro lugar, pretendemos saber se a utilização destes profissionais implicam estratégias de convergências com modelos integrados ou ‘cross-media’. Analisamos também os motivos que levaram estes conglomerados a empregarem profissionais em diferentes grupos. As razões que apontaremos centram-se na conquista de audiências, na especialização técnica, em opções editoriais e na redução de custos fixos com pessoal.

Por fim, discutimos as implicações éticas e deontológicas dos modelos de convergência citados que se reflectem na diminuição da pluralidade de perspectivas dos media portugueses e na redução da possibilidade de acesso à esfera mediática por parte de novos actores.
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INTERNET DAS COISAS E O PERFIL DO JORNALISTA 3.0: COMPETÊNCIAS E DESAFIOS NA PRODUÇÃO DE NOTÍCIAS ACERCA NO UNIVERSO VESTÍVEL DO JORNALISMO DAS COISAS (JOT)
Marcelo Barcelos
Universidade Federal de Santa Catarina

Este artigo problematiza e discute oportunidades e habilidades para atuação do jornalista global no contexto da Internet das Coisas (IoT), no campo do Jornalismo das Coisas (JoT), diante da emergência de novos dispositivos midiatizados, como carros, eletrodomésticos e até mesmo vestíveis, como óculos de Realidade Virtual (VR) e relógios inteligentes (smartwatchs). Discute-se possibilidades de narrativas nestas plataformas e, também, revisa-se códigos da deontologia profissional diante de um cenário tecnológico desafiador.

Relevância: por se tratar de uma área pouco explorada, entendemos que é urgente pesquisas que discutam a incorporação da internet das coisas (iot) como forma de inovação no consumo das notícias. Assim, justifica-se a investigação sobre o que chamamos de Jornalismo das Coisas (JoT), seja pelo formato ou linguagem que as notícias desencadeiam e, ainda mais, a respeito das consequências que este modelo suscita na construção do ethos profissional do jornalista global, capaz de saciar a exigência por práticas pós-industriais de distribuição, compartilhamento e reempacotamento da informação jornalística (Keen, 2012; Rose; 2015; Salaverría, 2015).

Argumento: até 2020, a perspectiva é que mais de 20 bilhões dispositivos de tecnologia estejam conectados à internet, entre televisões, gadgets, eletrodomésticos e computadores (vestíveis ou não), movimentando um mercado de r$ 30 trilhões. Desta forma, torna-se iminente a discussão de novos formatos, linguagens e, por consequência, competências e habilidades dos jornalistas para produzir conteúdo jornalístico orientado à Internet das Coisas, adaptado ao Jornalismo das Coisas.

Metodologia: o artigo apresenta como sequência metodológica revisão bibliográfica sobre internet das coisas, deontologia profissional e pesquisa semiestruturada, a partir de questionários abertos e fechados com grupo pré-selecionado de 40 jornalistas do brasil, dos jornais diário catarinense (sc), diário de pernambuco, correio brasilienze e folha de são paulo (sp) a respeito de suas concepções e limitações no cenário da internet das coisas aplicada como inovação ao jornalismo pós-industrial (jornalismo das coisas – jot).

Resultados: Após a aplicação dos questionários com grupo pré-selecionado, apresenta-se uma verificação qualitativa e categorias de análises para sistematizar as respostas em resultados mensuráveis. Algumas categorias já foram definidas: Conhecimento sobre o tema IoT, Conhecimento sobre os Devices e Sistemas de Informação multiplataforma adotados pelo IoT, JoT, Potencial, Informação, conhecimento e recursos: Mostrar cenários de aplicação aos entrevistados e ter feedback, e questões sobre a Ética e o JoT. Para a visualização dos resultados verificaremos na literatura técnica do Jornalismo de Dados e/ou análises Folksômicas adaptação a uma análise qualitativa para ilustrar o feedback dos entrevistados.
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ESTUDIO SOBRE LA INFOGRAFÍA EN EL CIBERPERIODISMO PORTUGUÉS
Júlio Costa Pinto
Universidade de Santiago de Compostela

En las sociedades más desarrolladas, los periódicos online han alcanzado ya un grado de notoriedad muy elevado. El periódico, además de ser un producto del dominio periodístico, es también un producto del dominio visual. Se verifican transformaciones sustanciales en los modelos consolidados de diseño de periódicos a través de la incorporación de nuevas tecnologías y de diferentes tendencias visuales que han suscitado una creciente importancia de la imagen que el periódico tiene en la web. Esta perspectiva se refleja en el presente texto, que tiene como base un caso de estudio concreto.

En términos metodológicos se ha seleccionado una muestra de dos diarios portugueses generalistas con versión online, pero que también disponen de versión en papel de pago (Jornal de Notícias y Público), y se ha procedido al análisis de contenido y observación. Con base en esa muestra, se ha llevado a cabo un estudio comparativo de la técnica utilizada en un aspecto concreto de los elementos gráficos esenciales en este nuevo modelo de comunicación: la infografía. A tal efecto, se ha realizado una investigación de la infografía en las respectivas ediciones online para determinar si es posible trazar una tendencia en cuanto al uso más o menos frecuente del elemento infográfico en los periódicos online portugueses, teniendo como base los elementos infográficos más utilizados y la adaptación al diseño adaptable.
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A PRÁTICA IMMUNITAS DO JORNALISMO BRASILEIRO NOS 20 ANOS DA CPLP
José Cristian Góes
Universidade Federal de Minas Gerais / Universidade do Minho

Em 17 de julho de 2016, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) completou 20 anos que foi institucionalizada. Para os dois maiores jornais impressos brasileiros, Folha de S. Paulo e O Globo, essa comunidade, da qual o Brasil também é membro, praticamente não existiu. Nossa investigação apontou que em duas décadas foram raras as notícias sobre a CPLP. O resultado dessa invisibilização é a construção de uma não inteligibilidade dessa comunidade no Brasil. Isso também pode ser encontrado no conteúdo encontrado nos poucos registros na Folha de S. Paulo e em O Globo em todo esse período. Eles propõem o não reconhecimento da própria CPLP, uma rejeição de filiação a uma comunidade que é majoritariamente composta por países africanos e pobres. Quanto a Portugal, existe uma espécie de possibilidade de alguma parceria com o Brasil, ao mesmo tempo em que tenta apagar qualquer relação identitária que faça lembrar a história entre metrópole e colônia.

Ao utilizarmos as formulações de Roberto Esposito (2005; 2012) sobre a communitas nessa investigação, sugerimos que elas fazem problema para a própria ideia da CPLP porque implicam na percepção do “comum” na comunidade como uma “carência”, uma “falta”, o que produz necessariamente deveres, obrigações, dívidas entre todos. Ocorre também que dentro da communitas há uma força que age em sentido exatamente contrário: a immunitas, isto é, que busca se isentar, que se dispensa do outro, que reage ao coletivo, que não reconhece a comunidade. Nesse quesito, o jornalismo, especialmente a partir da invisibilização da comunidade nos dois periódicos brasileiros pesquisados, e dos conteúdos encontrados nos raros registros nos 20 anos podem nos impulsionar a uma reflexão sobre a prática do jornalismo junto a CPLP, talvez agindo como uma força immunitas, fomentando a dispensa, a isenção, a impossibilidade da percepção de uma comunidade.

Nesse trabalho utilizamos além de Esposito (2005; 2012), também Bauman (2003; 2005), Canclini (1997), Hall (2006), Lourenço (2001), Mouillaud (1997), Martins (2006), Cabecinhas (2002), entre outros.
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PRÁTICAS INFORMATIVAS ICONOGRÁFICAS NAS PUBLICAÇÕES ILUSTRADAS PORTUGUESAS ANTES DA REPRODUÇÃO FOTOMECÂNICA: DESCOBRINDO AS POTENCIALIDADES INFORMATIVAS DA GRAVURA NO JORNALISMO (1835-1890)
Jorge Pedro Sousa, Patrícia Contreras & Patrícia Oliveira Teixeira
Universidade Fernando Pessoal

A introdução regular de informação iconográfica na imprensa periódica consolidou-se, em Portugal, após 1835. As litografias, primeiro, e as xilogravuras, depois, levaram a imprensa portuguesa a descobrir o potencial da informação iconográfica.

As primeiras publicações a incorporarem regularmente informação iconográfica nas suas páginas tinham um cariz enciclopédico. A primeira a obter êxito foi O Panorama, de 1837, cuja tiragem ascendeu rapidamente a cinco mil exemplares, feito notável num país pobre e onde a taxa de analfabetismo rondava 90%. Embora o historiador de referência da imprensa periódica portuguesa até ao dealbar do século XX, Tengarrinha (1989, 2013), enfatize que o êxito desse periódico se deveu, principalmente, à colaboração da elite intelectual portuguesa da época, encabeçada por Alexandre Herculano, defenderemos, nesta comunicação, a ideia de que uma quota-parte do seu sucesso editorial, e do êxito de publicações ilustradas posteriores, se deveu à incorporação de informação iconográfica, de produção própria, sobre temas portugueses. Só isso explica que outros periódicos ilustrados mais antigos, que contaram, identicamente, com colaborações de vulto de individualidades da época, mas que não seguiram uma política de produção própria de informação iconográfica, apenas tenham logrado alcançar tiragens de cerca de mil exemplares (como a primeira a surgir, O Recreio, de 1835). Sustentaremos, também, nesta comunicação, que a cobertura gráfica da atualidade portuguesa, a partir de 1845 (n’A Ilustração: Jornal Universal), reforçou o interesse do público pelas publicações ilustradas e, retroativamente, intensificou o interesse dos periódicos jornalísticos em geral pela informação iconográfica.

Mostraremos, igualmente, que o sucesso da informação ilustrada, além de ter contribuído para a transformação das práticas e dos produtos jornalísticos, originou, na esfera da imprensa periódica, o surgimento do ofício do gravador.

Antes da era da reprodutividade fotomecânica de fotografias na imprensa, que impôs o fotojornalismo como meio preferido para a adição de informação visual à palavra escrita na imprensa periódica, sozinhos ou em colaboração com desenhadores, os gravadores foram os primeiros produtores regulares de iconografia informativa e, num certo sentido, os primeiros “jornalistas de imagem” da história. Tentaremos demonstrar, em sequência, que esses manufatureiros de informação visual, aliando a técnica à arte, obedeceram sempre a padrões estéticos realistas de representação da realidade visível, contribuindo para a afirmação dos valores e dos modelos de ação que ainda hoje sustentam ética e expressivamente o fotojornalismo. A sua prática contribuiu, também, conforme tentaremos provar, para a emergência de novos géneros jornalísticos, caracterizados pela junção de imagens às palavras escritas.
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DEFINITION OF NEWS AND NEWS PROCESSES AMONG DIFFERENT GROUPS WITH DIFFERENT EXPERIENCES, INSIGHTS FROM PORTUGAL AND ESTONIA
Maria José Brites & Ragne Kõuts-Klemm
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e Universidade Lusófona do Porto

One of the major challenges for the journalists is precisely their publics and the forms they have of interacting with journalism with consequences for the business. Even so, this is one of the less studied areas of journalism.

In this presentation, we will discuss the definition of news and news processes among young publics (17-20) and adults (38-49) in Portugal and Estonia.

Following Craft, Ashley and Maksl (2016) we analysed: How they define news? What motivates them to consume news? And how much knowledge about the news media industry, content, and effects they bring to the task of consuming and thinking critically about the news?

We found out that the respondents that represent the poles of the most interested and as well the less interested in the news are more willing to prefer to use internet for consuming news, even if for different reasons. The contributors also revealed that often for them journalism perceptions had no real correspondence to the legal definition of the requirements of the profession in each one of the countries. News were also very connected with deep daily life relevant issues, from culinary needs to taxes. In Portugal, the recent crisis and the terrorist attacks with the fear of facing it in Portugal where among the stronger motivation to news consumption. One of the most negative results we found in Portugal, through both young people and adults, was that what they know about news media industry is a result of a self-learning process that often gives no real structure to critically navigate through the information.

In Estonia we can distinguish different groups based on their news consumption habits. There is a small group of youngsters who consume news only via social media. Their attitude towards ‘serious’ journalistic news is characterised with the sentence ‘if I have to…, but no news is better’. They do not like serious topics and journalistic news in their Facebook news feed. The other group who says that it is important to follow daily news, defines news mainly via their personal interests. News resulting from journalistic work is important only if it is related to their life world. But we still have among young respondents a group who are rather ‘traditional’ news consumers – they are interested in hard and soft news, and they follow renowned news brands (like BBC, national public service media, quality online press etc).
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MUNDOS VIRTUAIS E JORNALISMO IMERSIVO: UMA RESENHA HISTÓRICA E CONCEPTUAL
António Baía Reis
Universidade do Porto

O jornalismo imersivo é uma prática decorrente de novas configurações tecnológicas encetadas pelos profundos avanços no campo particular da realidade virtual. Nos últimos anos, instituições como o New York Times, a BBC ou a ABC News têm vindo a produzir conteúdos jornalísticos recorrendo a tecnologias imersivas, nomeadamente o vídeo 360º. A combinação da possibilidade de gravar vídeos imersivos com a disseminação de conteúdos através de dispositivos móveis, constitui-se como algo particular e potencialmente inovador no modo como os conteúdos noticiosos são apresentados e experienciados. Do ponto de vista do questionamento académico, este fenómeno apresenta igualmente um enorme potencial de exploração, não só na ótica dos que adotam o jornalismo imersivo como objeto de estudo no campo específico da produção de conteúdos e da receção dos mesmos, mas sobretudo daqueles que se focam no estudo e análise do modo como esta nova realidade se inscreve em disciplinas tais como os estudos de jornalismo, as ciências da comunicação e os media digitais, onde problemáticas como a ética de trabalho, estruturas narrativas e competências profissionais e técnicas são essenciais de serem compreendidas por forma a perceber claramente as verdadeiras implicações deste fenómeno emergente para o jornalismo, para a Academia e para a sociedade. Neste sentido, o objetivo do presente artigo é justamente o de estabelecer um constructo teórico-conceptual que se constitua como uma base suscetível de ser utilizada em futuras investigações relacionadas com o jornalismo imersivo. Para tal, e partindo do conceito de jornalismo imersivo de De la Peña (2010), num primeiro momento procedemos a uma descrição e reflexão acerca dos conceitos essenciais associados ao jornalismo imersivo, tais como os conceitos de imersão (Witmer e Singer, 2015) e presença (Kim e Biocca, 1997). Num segundo momento, é apresentada uma visão histórica da relação entre jornalismo e media visuais, através de exemplos práticos tais como o jornalismo de guerra (Gellhorn, 1994) ou o documentário (Cronkite, 1953), de modo a compreender a importância da utilização de diferentes formas de imersão na busca da criação de uma ligação efetiva entre conteúdos noticiosos e públicos. Finalmente, proceder-se-á a uma descrição e análise breves acerca dos principais desafios do jornalismo imersivo, antevendo configurações futuras e sugerindo eventuais tópicos para posteriores investigações académicas.
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REVISTA JÁ: UMA EXPERIÊNCIA COLETIVA DE CONTEÚDO INTERATIVO PARA TABLETS
Rita Paulino, Elva Gladis, Gabriela Damaceno, Janine Silva, Luiz Fernando de Oliveira, Natália Duane De Souza & Priscila Oliveira dos Anjos
Universidade Federal de Santa Catarina

A interatividade ainda é um desafio na área da comunicação, muitos autores a interligam com os aparatos tecnológicos para motivar tal interação. Primo (2007, p. 33) faz uma ampla discussão sobre a interação mediada por computador que nos fez escolher a seguinte abordagem como conceito a discutir neste artigo: a interatividade é a oferta de um grande número de dados pré contidos em suporte digital, cujo fluxo de apresentação é disparado pelo usuário ao clicar em um botão ou link. Entendemos que o grande desafio está antes da ação do usuário, está em como os profissionais da comunicação pensam e compreendem a tal interatividade. Neste projeto procuramos aprofundar esta discussão e apresentar alguns recursos aplicados na Revista Já para tablets, que demonstram que uma representação estática pode se tornar mais atrativa e complementar, com a adição de simples elementos gráficos interativos.

A partir destas hipóteses, a presente comunicação pretende discutir a problemática da transformação das práticas profissionais do jornalismo, com base nos resultados de um inquérito por questionário, dinamizado entre os jornalistas portugueses, que contou com 806 respostas válidas. Os dados evidenciam uma reconfiguração das rotinas produtivas dos profissionais, desvelando um quadro crescente de procedimentos burocratizados, deterioração das condições de autonomia e crescente convergência de funções. Paralelamente, a expressão de atitudes e expetativas evidencia um contexto de declínio do poder profissional dos jornalistas.
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A NOTÍCIA FEITA SOB MEDIDA PARA O BOLSO: ANÁLISE COMPARATIVA DO DESENHO DE INTERFACE DAS APLICAÇÕES DE NOTÍCIAS PERSONALIZADAS FLIPBOARD E ZITE
Milton Cappelletti Júnior
Universidad de Vigo

A consolidação dos dispositivos móveis como meio de acesso à informação tem alterado tanto a maneira como os meios de comunicação produzem conteúdos quando a forma como os utilizadores consumem estes conteúdos. Neste contexto, surgem as aplicações de notícias personalizadas, com o objetivo de reunir num só local toda a informação escolhida pelo utilizador, a partir da agregação de diferentes meios noticiosos. Este tipo de personalização de conteúdo responde às novas necessidades das audiências em relação à instantaniedade, hipertextualidade e ubiquidade, a partir de interfaces que mediam o utilizador e a informação. É neste âmbito que este artigo se propõe a comparar o desenho de interface de duas aplicações de notícias personalizas: o Flipboard e o Zite. A partir da análise comparativa descritiva dos dois objetos, será possível inferir as semelhanças e diferenças entre as duas aplicações, de modo a apontar estratégias e tendências na maneira como representam visualmente informações agregadas e personalizadas e sugerir o desenvolvimento de outros estudos sobre o tema. envolvidos, mas, também com a produção científica referente as produções laboratoriais, fazendo interface entre as áreas da comunicação e da educação.
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DISTRIBUIÇÃO E CIRCULAÇÃO DE CONTEÚDO JORNALÍSTICO EM MÍDIAS SOCIAIS CONTEMPORÂNEAS: O INSTANT ARTICLES DO FACEBOOK E O ACCELERATED MOBILE PAGES DO GOOGLE
Mariana Guedes Conde

A notícia somente ganha existência plena e se constitui um produto social capaz de ativar as relações entre os indivíduos, contribuindo para ativar o processo de conversação, quando circula (Machado, 2008). Considerando que a distribuição remete ao consumo e a circulação à participação, o contexto atual de uma mídia móvel e espalhada (Jenkins, 2014) revela mudanças em relação à distribuição e circulação do conteúdo jornalístico, além da produção para uma ampla circulação com uma variedade de processos de recirculação e novos modos de consumo. Este artigo objetiva refletir sobre o atual contexto de mudanças nos processos de distribuição e circulação de conteúdos jornalísticos em sites de mídias sociais, o que engloba discussões relativas à seleção de notícias, personalização, uso de algoritmos e submissão a termos de usos das diferentes plataformas. Para tanto, problematiza o Instant Articles do Facebook, aplicação para smartphone que permite a publicação direta por veículos de informação de conteúdo no feed de notícias do site de rede social, e o Accelerated Mobile Pages do Google, que tem como objetivo melhorar muito o desempenho na navegação na internet móvel aberta ao possibilitar um formato de carregamento mais rápido e open source de conteúdos com o objetivo de melhorar o desempenho na internet móvel. Partimos do pressuposto de que o desenvolvimento das chamadas mídias digitais e interativas ocasiona uma fragmentação da oferta de informação e consequentemente reconfigura processos de produção, circulação e consumo de conteúdo na medida em que a mídia direciona estes processos para uma lógica divergente da do jornalismo industrial, em que o público necessitava ir à busca das publicações para ter acesso às notícias. Nesse sentido, refletimos, com apoio da pesquisa bibliográfica, sobre como os sistemas de circulação e distribuição de conteúdo jornalístico têm sido reconfigurados com o advento das mídias sociais e como os tipos de gestão dos meios, a tecnologia e a relação entre usuários e jornalistas impactam estas estruturas.